Queridos leitores (não tantos assim, mas enfim),
Encarecidamente peço desculpas pela demora da continuação. Não pretendo fazer mais isso. A verdade mesmo é que o uruguaio teve uns problemas de saúde - ele tem umas crises de bronquite as vezes -, e essa ultima foi meio foda. Levei ele ao hospital e tal, e como os dois mexicanos trabalham o tempo todo (e acreditem, o tempo todo é O TEMPO TODO MESMO), eu acabei cuidando do pobre.
Não, não rola clima algum entre eu e ele, até porque, como eu já disse, o uruguaio não se faz entender. Aproveitei que ele teve que ficar aos meus cuidados pra ver se ensinava algo de português pra ele - falar sem sotaque, eu digo.
Enfim. Já está tudo bem agora, então volto pra cá.
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Acordou seminu e fedendo dentro de uma caçamba de lixo. Vestia só as calças, e seu corpo havia assimilado o cheiro de enxofre. Sentia uma forte dor de cabeça. Tinha batido em algum lugar quando pulou na caçamba no dia anterior. Saiu com dificuldade. Tinha desmaiado, e agora o sol já estava a pino. “Deve ser meio-dia”, pensou consigo mesmo.
Passou a mão na cabeça e observou seu próprio estado. Sujo, muito sujo, mas vivo. Tinha corrido até entrar no beco e se jogar na caçamba. Não sabia como os caras não o tinham achado, mas ficava feliz pela burrice alheia.
Lembrou-se de Chris. Tirou a parte grossa da sujeira de seu corpo com as mãos e pensou se ele tivera a sorte de trazer todos os caras consigo, e não deixado nenhum para explodir os miolos de seu amigo. Não tinha celular nem maneiras de contatá-lo. E ali, em pé encostado na caçamba, notou que precisava urgentemente de cuidados. Banho, roupas.
Procurou em sua mente seus amigos que não eram nômades como ele. Não poderia pedir ajuda a nenhum. Os que não estavam mortos o queriam morto. Então lembrou dela. Respirou profundamente com uma inquietação que aumentava à medida que o ar entrava em seus pulmões. Chutou a caçamba, machucou o pé, xingou. Odiava pedir ajuda à ela. Odiava, odiava. “Bom...” – pensou – “É isso ou continuar fedendo e só com as calças.”
Sua caminhada até o prédio dela não foi agradável. O sol pálido de seu outono o incomodava, tal qual os olhares das pessoas à sua volta. Aquele jeito das mulheres apertarem suas bolsas contra o próprio corpo temendo que ele as atacasse.
Chegou finalmente ao prédio de cinco andares. Primeiro apertou timidamente o botão do interfone. Não tendo resposta, e já irritado, enfiou o dedo com força e segurou, até que uma voz mais nervosa do que ele atendesse:
- FALA, DEMÔNIO.
- É o Vic. – e, notando que ela gritaria seu nome inteiro em seguida, já interpôs - É O VIC.
- Tá bom, tá bom. Que tá fazendo aqui?
- Preciso de uma força.
Ela não perguntou. Apertou o botão do interfone que abria o portão, e logo ele estaria à sua porta, sem nem os calçados, fedendo à enxofre e com a pele manchada de sujeira. Ela o olharia, inquieta, fingindo não estar preocupada com ele. E ele a olharia, inquieto, fingindo não estar preocupado com ela.
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1 comentários:
é QUASE a história de um picolé de chuchu (L) amey
sinto q vai mudar...
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